O novo Plano
Diretor Urbano (PDU) de Vitória – que tem como meta traçar os caminhos para o
desenvolvimento da capital nos próximos 10 anos – já prevê a necessidade de
adequações nas vias para a implantação do corredor exclusivo para ônibus, o
chamado BRT. Para isso, será preciso limitar áreas de terrenos particulares em
determinados pontos da cidade, a fim de incluí-las no sistema de transportes.
| Foto: Fernando Madeira/A Gazeta |
A proposição
das modificações encontra-se na minuta do PDU, que ainda está sendo avaliada
pelos conselheiros. Conforme explica a secretária de Desenvolvimento Urbano de
Vitória, Lenise Loureiro, o projeto do BRT, elaborado pelo governo do Estado,
trata da implantação de uma faixa exclusiva para ônibus que se estende desde a
BR-101, na altura do Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, até o Portal do
Príncipe, passando também pela Avenida Fernando Ferrari, Reta da Penha, Avenida
Vitória e Princesa Isabel.
No entanto, a
implantação das faixas de recuo ocorrerá apenas em pontos específicos. Duas
delas estão na Reta da Penha: uma em frente ao Clube Centenário, em um terreno
desocupado; e outra em frente à Emescam, em outro terreno vazio.
Segundo Lenise,
há um terceiro ponto na Avenida Desembargador Santos Neves, próximo ao Praia
Tênis Clube, além do Portal do Príncipe, que passará por um projeto ainda maior
de requalificação das vias.
Embora o
governo do Estado já tenha afirmado que não há previsão para a implantação do
BRT devido à falta de recursos, Lenise afirma que é tarefa do PDU planejar a
cidade de acordo com projetos já existentes e com outros que poderão surgir.
“O BRT é uma
proposta real do governo. Temos que adequar nossos projetos para ir ao encontro
dos projetos do governo estadual”, reforça Lenise.
Propriedades
A secretária de
Desenvolvimento Urbano também garante que, caso a ampliação das vias seja
necessária futuramente, os proprietários deverão receber o pagamento pelas
desapropriações ou optar por compensações.
Sobre esta segunda alternativa,
Lenise explica: “Ele não perderá coeficiente total de edificação de seu
terreno. Se precisar se afastar um pouco de um lado, poderá compensar em
outro”.
Enquanto isso
não acontece, os proprietários terão que obedecer aos limites e restrições
impostos pela nova lei caso queiram modificar seus terrenos.
Após ser
analisada pelos conselheiros, a minuta do PDU será publicada no site do
município para que haja a consulta pública final. O passo seguinte será a
votação no Encontro da Cidade, que ocorrerá em julho, segundo a prefeitura.
Restrição para uso e ocupação de
áreas
Além de estabelecer a limitação de áreas de lotes
visando a implantação de projetos já existentes, a exemplo do BRT, a minuta do
PDU também restringe o uso e a ocupação de diversos outros lotes visando a
realização de projetos de mobilidade urbana que ainda não foram criados.
A medida
preocupa os membros do Conselho do Plano, que aguardam um parecer da
Procuradoria Geral do Município.
Uma dessas
áreas é a região às margens do Canal de Camburi, mais especificamente 15 metros
a partir do alinhamento da borda. Segundo o presidente da Associação de
Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES) e conselheiro do PDU,
Sandro Udson Carlesso, a medida despertou o receio dos proprietários.
“Estão fazendo
uma reserva de área sem saber se ela atenderá aos projetos que nem existem.
Isso traz insegurança jurídica. Enquanto não há projetos, não haverá permissão
para edificar nesses locais. Entra aí o direito de propriedade, pois o que está
havendo é uma desapropriação sem pagamento”, diz Sandro, que também questiona:
“Os proprietários vão ter continuar pagando impostos, como IPTU, em certos
casos a taxa de marinha, sem poder utilizar seus terrenos?”.
Já a secretária
de Desenvolvimento de Vitória, Lenise Loureiro, afirma que as áreas foram
definidas com base em estudos e que as edificações poderão ocorrer, desde que
respeitem as limitações previstas. De acordo com a minuta, fica
impossibilitada, por exemplo, a expansão das construções nos locais apontados
como de interesse público, bem como a construção de novas edificações.
“O direito à
propriedade é garantido. Mas deve-se observar que o imóvel precisa cumprir sua
função social, ele tem que ser benéfico para a cidade. Estamos traçando um
futuro para Vitória e os imóveis precisam obedecer às regras impostas para
melhorar a qualidade de vida”.
Informações: g1 ES
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